A Alexandra deixou ontem o comentário que a seguir transcrevo... Trata-se de mais uma pessoa disponível para ser barriga de aluguer. Bem sabemos que os tempos estão difíceis, e acredito (posso estar errado) que assim como a prostituição tem vindo a aumentar, também outros negócios "escuros" irão multiplicar-se. E como ninguém manda no nosso corpo e no que devemos e podemos fazer com ele, usá-lo para combater a crise pode ser uma saída... Se é a melhor ou não? Não sei nem quero julgar. Até porque a Alexandra não dá pormenores como decorre o processo...
Já aqui falei várias vezes sobre o assunto, na vontade de ter um filho e que, sem sombra de dúvida, uma barriga de aluguer é na teoria a solução que mais me agrada. Mas éticamente, e na prática, penso que não seria um processo fácil... Achei no entanto por bem partilhar o comentário, para possibilitar quiçá alguém vir a ter um filho.... O post sobre o assunto é este e é lá que está o comentário da Alexandra que podem ler também de seguida:
Caros futuros pais, sou a Alexandra e estou bem informada sobre os procedimentos que este processo envolve. Estou de mente tranquila e sem dúvidas sobre o que pretendo fazer: ser barriga de aluguer. Apenas isso. Tenho 45 anos e sou muito saudável, não tenho nenhuma doença nem condição física impossibilitadora. Já tenho uma filha, nascida quando tinha 41 anos. A gravidez correu muito bem, sem problemas, o parto foi óptimo. Apoio totalmente o envolvimento dos futuros pais em todo o processo. Moro em Lisboa e posso deslocar-me em Portugal sem problemas.
Todos os posts sobre Barrigas de Aluguer podem ser lidos AQUI
De Alexandre a 22 de Outubro de 2011 às 02:02
Sendo verdade que a adopção ainda não é permitida para casais do mesmo sexo, é com esta opção que simpatizo.
Sabendo que nascer de uma barriga de aluguer não constitui condição para problemas , de qualquer ordem, na criança nem para os intervenientes no processo, é preciso fazer notar que a natureza humana é inqualificavelmente complexa, e que uma barriga de aluguer dá muito mais a um bebé do que apenas sustento para desenvolvimento, e recebe muito mais do que apenas uma quantia de dinheiro.
Todas as opções devem ser ponderadas do ponto de vista humano, e não tecnicista.
De spritof a 22 de Outubro de 2011 às 11:06
Concordo que não será um processo fácil, o da barriga de aluguer, por questões sentimentais, essencialmente...
...mas não estou a ver nenhum problema ético.
Independentemente disso, seja qual for o caminho... sigam em frente.
Ah... sabendo que a adopção em Portugal no vosso caso não é permitida... há sempre outros países onde essa questão não se coloca, e normalmente são países com deficiências sociais e económicas em que a adopção também pode ser vista como uma fuga à pobreza e graves carências do dia-a-dia.
De Marta a 31 de Outubro de 2011 às 19:51
Para se partir para a adopção internacional é necessário ter a candidatura aprovada em Portugal, logo o problema mantém-se. Não se pode adoptar fora de Portugal para contornar a legislação portuguesa.
De spritof a 31 de Outubro de 2011 às 21:18
Em qualquer país?
Se eu estiver algum tempo em... em Moçambique, Indonésia, Timor, Malásia, etc. e lá adoptar uma criança e depois voltar para Portugal...
Não me parece que Portugal possa impedir de entrar com uma criança legalmente adoptada noutro país.
Será?
É que... não me parece fazer sentido. Qual é o motivo?
Alguém me sabe esclarecer?
Obrigado.
:)
De Marta a 2 de Novembro de 2011 às 00:23
Um português que pretenda adoptar uma criança de outro país tem que iniciar um processo de adopção internacional cá em Portugal e pela legislação portuguesa. Após aprovado, o processo é enviado pela Autoridade Central para a adopção portuguesa para a Autoridade Central do país da criança.
A situação poderá ser diferente quando se possui dupla nacionalidade ou se é casado com alguém da nacionalidade da criança (passa a ser uma adopção nacional).
Para além disso, nem todos os países aceitam candidaturas de Portugal: alguns exigem acordos ou agências de mediação (que já existem em Portugal).
É possível que num ou noutro país os processos de adopção corressem sem grandes regras mas a situação está a mudar. Há cada vez mais países a aderirem à Convenção de Haia que normaliza os processos e torna a adopção mais transparente. O objectivo é simples: proteger as crianças e evitar o tráfico e compra de crianças.
Seja como for, a adopção internacional em Portugal é ainda residual. Estamos no inicio. A seg. social tem manifestado várias reservas e são ainda poucos os países com que Portugal tem estado a trabalhar. E é por isso mesmo que acho que é necessário algum cuidado quando se fala em adopção internacional, evitando transmitir essa ideia de facilitismo e de solução para se contornar as regras. Isso só descredibiliza estes processos, criando ainda mais dificuldades aqueles que pretendem adoptar.
Quanto às barrigas de aluguer, não sendo um processo legal em Portugal, é sempre um risco. Mesmo que se faça noutro país e se registe aí a criança trazendo-a depois para Portugal, se a mãe de aluguer a vier mais tarde a reclamar terá razão, pois à luz da lei portuguesa a criança não será filha desse casal. Fazê-lo cá em Portugal é uma ilegalidade com a qual eu, pelo menos, não conseguiria viver. Para além das questões práticas de explicar de onde apareceu o bebé; ou de conseguir a nacionalidade portuguesa para uma criança registada no estrangeiro como filha de um casal de pessoas do mesmo sexo portuguesa.
O caminho é tentar mudar as leis. Permitir a adopção a casais de pessoas de mesmo sexo, permitir a FIV a mulheres singulares e permitir a maternidade de substituição quando esta é uma solução para casais inférteis.
Marta
De spritof a 2 de Novembro de 2011 às 09:01
Obrigado :)
Nesta matéria estamos, realmente, atrasados...
Abraço,
spr
De spritof a 22 de Outubro de 2011 às 11:07
Oooops!
O comentário anterior não foi uma resposta, mas um comentátio independente.
Por laoso, carreguei no lin errado.
Sorry...
:P
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